Crenças: um caminho para o bem-estar

Aquilo em que acreditamos faz de nós aquilo que somos. Imagine que toda a vida acreditou ser bom apenas numa profissão, o mais provável é que venha a ter o mesmo emprego até à reforma. Pelo contrário, se acreditar que tem capacidades diversas e que pode acumular funções profissionais diferentes, a probabilidade de vir a desenvolver competências e a ter vários trabalhos é altíssima. Imagine agora que acredita que não vai ser feliz se arriscar mudar de vida, ou que vai ser muito bom sair do lugar onde se está, para melhorar e crescer pessoal e profissionalmente. Consegue imaginar o que lhe acontecerá se partir de uma ou de outra crença?

Quando falamos das nossas crenças, muitas vezes criamos argumentos lógicos para entendermos os comportamentos que temos.

Robert Dilts, no seu livro Crenças – Caminhos para a Saúde e o Bem-Estar, refere que «as crenças não se baseiam necessariamente numa estrutura lógica de ideias, ao contrário, todos sabemos quão pouco elas reagem à lógica. Não se pode esperar que elas coincidam com a realidade. Como não sabemos na verdade o que é real, temos de formar uma crença. É muito importante entender isso quando se trabalha com alguém que quer mudar as suas crenças limitadoras. Uma velha história contada por Abraham Maslow serve como ilustração disto: um psiquiatra estava a tratar um homem que pensava que era um cadáver. Apesar de todos os argumentos lógicos do psiquiatra, o homem persistia na sua crença. Num momento de inspiração, o psiquiatra perguntou ao homem: um cadáver sangra? O paciente respondeu: que pergunta ridícula é claro que não. Após pedir-lhe permissão, o psiquiatra fez um furo no dedo do paciente de onde saiu uma gota de sangue. O paciente olhou para o sangue com nojo e surpresa e exclamou: ora, e não é que sangra?»

Verificamos, se pensarmos sobre aquilo em que acreditamos, que não havendo uma forma lógica que suporte a crença, construímos uma realidade sobre a qual edificamos a nossa vida e construímos quem somos. Quando falamos das nossas crenças, muitas vezes criamos argumentos lógicos para entendermos os comportamentos que temos, uma maneira de mudar de assunto e olhar para o lado que nos é mais confortável.

Imagine agora que, depois de ler este texto, quer refletir sobre as crenças a que se tem apegado e que o têm impedido de seguir em frente, ou as que o têm impulsionado a descobrir caminhos e a evoluir. Quais vão ser as suas respostas?

Paula Capaz

0 COMMENTS

LEAVE YOUR COMMENT