O casamento dos verbos

Durante as sessões de Coaching surgem muitas perguntas que se prendem com o verbo querer, perguntas e respostas difíceis. Querer é anuir, concordar, desejar, ter vontade. É uma disposição funda e sentida, uma espécie de mola que nos empurra para uma direção. Querer fazer um processo de Coaching é ter vontade de atingir objetivos, concordar com o plano que intimamente se traçou, desejar percorrer um caminho próprio. O verbo querer, esse verbo usado para decidir o que fazer, é uma ferramenta interna e de enorme peso quando uma pergunta desencadeia dúvidas relacionadas com a vontade. Provavelmente não deixa de procrastinar porque ainda não o quis deixar de fazer; não começa uma alimentação equilibrada porque ainda não quis alterar padrões na sua alimentação; não tem melhores notas na escola porque ainda não quis pensar na melhor forma de ultrapassar uma qualquer dificuldade.

Querer fazer um processo de Coaching é ter vontade de atingir objetivos, concordar com o plano que intimamente se traçou

Provavelmente nunca pensou no peso que o verbo querer tem na sua vida. Quando lhe perguntam numa sessão de Coaching se quer começar a ser mais organizado, a resposta pode ser que quer, mas não consegue. É nesta resposta que os verbos se casam, combinam-se num marasmo de inação e impotência, querer e crer unem-se numa espécie de dança que prende as pernas. Acredita que não consegue e, por isso, a sua vontade fica prisioneira daquele com quem casou, o verbo crer. E se quer uma coisa e não a faz, é muito provável que a crença que tem cimente a inação. Se não consegue é porque crê que não consegue e mesmo que queira está lá a parede, disposta a ser um travão. Por outro lado, se os dois verbos se voltarem a casar com novas regras, se for possível a dança sem pernas presas, talvez possa acreditar que consegue e levar com isso o querer fazê-lo já amanhã. Devagar, porque se todos os casamentos felizes precisam de tempo, os casamentos entre verbos que dançam também!

Paula Capaz

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